As Duas Coisas Imutáveis – Hb 6.18-20

Para que, mediante duas coisas imutáveis, nas quais é impossível que Deus minta, tenhamos a firme consolação, nós, os que pomos o nosso refúgio em reter a esperança proposta” – Hb 6.18

As duas coisas imutáveis são a promessa e o juramento. A respeito de Deus, que fez a promessa a Abraão, é dito que é impossível que minta; e a respeito do juramento, Deus jurou por si mesmo e, portanto, interpôs a si e a todas as perfeições da Sua divindade como penhor do cumprimento das promessas.

O juramento aponta para outro que o autor da epístola vai apresentar: o juramento que se ligava à aliança com Cristo, isto é, o de que Ele seria sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque (Sl 110.4; Hb 5.6)

Um juramento é paralelo ao outro; o que foi feito a Abraão e à sua semente confirmou a promessa da redenção; o que foi feito a Cristo, a Semente de Abraão (Gl 3.18), confirmou a instrumentalidade sacerdotal pela qual as promessas vieram a ser cumpridas. Um juramento se liga à natureza da aliança; o outro, à sua administração. E como duas coisas imutáveis [a promessa e o juramento] estavam ligadas à primeira, assim o autor da epístola vai mostrar que as duas se ligam à segunda, pois o Filho encarnado é, sob o aspecto divino, o Ministro do santuário e, sob o aspecto humano, a Certeza da Aliança.

A promessa, portanto, repousa seguramente na aliança com Cristo, o qual, como nossa Oferta propiciatória, tornou possível a Deus ser justo Juiz e [ao mesmo tempo] o Justificador do que crê em Jesus. Deste modo, Deus concedeu aos herdeiros da promessa a dupla confirmação da validade da aliança e da infalibilidade de Sua administração. E os herdeiros não são meramente os descendentes naturais de Abraão, mas a sua prole espiritual, visto que, em Cristo, Semente de Abraão e Herdeiro de todas as coisas, foram benditas todas as nações da terra.

Na ARV (American Revised Version), alento é traduzido como encorajamento, em vez de consolação. Isto parece estar mais de acordo com o pensamento do autor da Epístola, cujo propósito é encorajar os seus leitores a firmar-se na fé e na esperança da promessa feita com juramento de Deus até que recebam o que lhes foi prometido.

Para reforçar a nossa convicção, são apresentadas duas ilustrações:

1) O Refúgio da esperança – 2) A Âncora da Alma.

1. O Refúgio da esperança – Hb 6.18 a

Esta é uma alusão às cidades de refúgio em Israel, para as quais poderia fugir do vingador de sangue o responsável pela morte de alguém. Chegando à cidade, ele estaria salvo dentro de suas muralhas e, quando da morte do sumo sacerdote, recuperava a liberdade (cf. Nm 35).

Em vez de nós que já corremos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança proposta, na ARV, lemos “nós que fugimos para o refúgio, a fim de lançar mão da esperança colocada diante de nós”. Isto porque o verbokratesai”, no infinitivo, traz a idéia de finalidade, tornando possível traduzir a frase como: “Nós que encontramos refúgio de modo a apegar-nos firmes à esperança oferecida”.

Cristo é o nosso Refúgio, e o uso das palavras “que fugimos” indica a urgência de fugir para Cristo em busca da salvação. É em Cristo que a esperança é colocada diante de nós e da qual devemos “lançar mão”.

A esperança pode ser: ou um objetivo, um alvo colocado diante de nós, ou uma graça interior que anima nossa alma. Em Hebreus 6.18b, é usada em ambos os sentidos: (a) é algo colocado diante de nós, que esperamos; e (b) algo que necessita de uma experiência interior, isto é, fé e paciência. Portanto, a esperança é, ao mesmo tempo, o dom de Deus e a experiência interior do homem.


2. A Âncora da alma – Hb 6.19

Esta é uma referência náutica. A âncora é um símbolo da esperança. A palavra âncora não ocorre no A.T e, no N.T, aparece apenas aqui e na descrição do naufrágio de Paulo na ilha de Malta (At 27.29,40).

Como a âncora pesada de ferro afunda nos grandes mares e fixa-se entre as rochas inabaláveis, mantendo o barco seguro e firme, assim a esperança, a âncora do cristão, é lançada e penetra até o interior do véu. Mas o que está além do véu, dentro do Santo dos Santos do templo terreno, que era apenas um símbolo do celestial? O trono da autoridade e poder, onde Jesus [o nosso Sumo Sacerdote] acha-se assentado à destra do Pai, após ter-se
tornado a nossa Oferta propiciatória, purificando o povo dos pecados com o Seu próprio sangue sacrificial.

O símbolo da âncora é, às vezes, usado em outro sentido. Sabemos que, em muitos dos mares interiores dos tempos antigos, havia grandes rochas no fundo, ao longo da praia, onde as embarcações menores geralmente atracavam. Mas, com freqüência, por causa dos ventos adversos, os barcos maiores não podiam atingir o porto. Era costume, então, abaixar um barquinho e enviar um precursor à praia, com um cabo forte, que ele fixava a uma dessas pedras, conhecidas como anchoria e, bem seguro por aquele cabo, o navio podia ser conduzido salvo à ancoragem.

A peculiaridade da esperança cristã, pois, reside nisto: que ela não encontra ancoragem nas águas rasas deste mundo, mas penetra o véu e, mediante os fortes cordames da graça e da verdade, prende-se à anchoria celestial, o trono eterno de Deus.


Nele, em quem temos a Promessa e o Juramento

Pr Marcello de Oliveira

Bibliografia: Wiley, Orton. A Excelência da Nova Aliança. Editora Central Gospel.

6 Responses to As Duas Coisas Imutáveis – Hb 6.18-20

  1. De link em link, acabei aqui no seu blog. Gostei do conteúdo. Vou me tornar seu seguidor. Espero sua visita em meu blog, o Genizah.

    Graça e Paz,

    Danilo

    http://genizah-virtual.blogspot.com/

  2. Caro amigo Pr. Marecello Oliveia,
    Shalom!

    Louvado seja o nome do Senhor!

    Parabéns pelo elucidativo texto, assim como receba meu sincero aradecimento pela sua dedicação em nos oferecer excelentes postagens.

    Um grande abraço!
    Pr. Carlos Roberto

  3. Você continua nos brindando com estas postagens maravilhosas.
    Continue assim.

    Pb. Edinei Siqueira,Th.B

  4. Valdemir Reis disse:

    Amigo Pr Marcello olha eu aqui visitando, passando para agradecer sua atenção e amizade. Acredito que a verdadeira amizade nunca se desgasta, portanto assim quanto mais se dá mais se tem. Quem segue acompanhado de um amigo vai mais longe, muito além… Parabéns pelo bonito e inteligente blog. Aproveito para compartilhar com você de Esmeralda Ferreira Ribeiro;
    “ Força de viver…
    Grita ao mundo
    a tua alegria,
    a tua generosidade,
    a tua disponibilidade,
    a tua força de amar.
    E daí,
    a tua confiança,
    a tua esperança,
    a tua disposição de lutar.

    Diz-lhe
    que vale a pena viver,
    que a grandeza está no ser,
    e é preciso acreditar
    que a vida é causa maior.
    E assim,
    o efêmero vai passar,
    mas o que fizeres de perene
    jamais se pode perder,
    é autêntico valor.”

    Obrigado, a casa é nossa, volte sempre! Também de todo coração votos de um excelente e animado fim de semana. Paz, saúde, proteção, prosperidade e muitas bênçãos. Fique com Deus, um forte e fraterno abraço. Brilhe sempre!!!
    Valdemir Reis

  5. Clovis disse:

    Grato pela explicação!
    Que o Espírito continue a fortalecer e a encorajar a quem tem posto a mão no arado.

  6. Bruno disse:

    Parabéns, gostei do artigo. Me trouxe um pouco mais de aprofundamento do texto.

    Mas ainda assim continuo com uma curiosidade do texto pois me deu a impressão de que poderia haver brechas para que Deus pudesse mentir, é no vers. 18 que na versão da minha bíblia diz assim:

    “Portanto, há duas coisas que não podem ser mudadas, e a respeito delas Deus não pode mentir. …”

    Achei curioso e entrei no site procurando algo a respeito, se puder me responder ficarei feliz!

    Tenho minha âncora firmada em Cristo, mas gosto muito de entender os detalhes, principalmente os mais sutis. 😉

    Graça e paz

    Bruno Andrade

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