Televisão, um “drácula eletrônico”

 

Interessante analogia pode ser feita entre a TV e a lenda dos vampiros. Diz a lenda que os vampiros só podem entrar em alguma casa com o consentimento de seus moradores. Mas, uma vez consumado o ato, é muito difícil – quase impossível – libertar-se de sua força hipnótica, de sua fome voraz de sangue.

A televisão pode não nos roubar o sangue, mas rouba-nos algo de suma importância: o tempo. Crianças norte-americanas em idade pré-escolar assistem em média a quatro horas diárias de televisão. Segundo dados obtidos pela psicanalista Ana Olmos, especialista em infância e adolescência, na Europa o índice cai para pouco mais de três horas. A excessiva exposição também existe por lá. Na França, por exemplo, é a distração favorita para 75% dos pequenos, enquanto na Espanha, 96% deles, em idade de 4 a 10 anos, vêem TV diariamente.

Frequentemente, as pessoas, quando convidadas a ler a Bíblia ou outro livro, alegam falta de tempo. Mas a média diária do brasileiro é de 4h em frente à TV… Falta de tempo?

Atualmente muitas famílias se desmantelam justamente por falta de tempo para relacionamento e comunicação. Não se conversa mais sobre os problemas do dia-a-dia, sobre projetos, esperanças e frustrações. Geralmente no momento em que toda a família está reunida, à noite, intrusos como telejornais e principalmente as novelas impedem o diálogo.

A revista Scientific American, do mês de fevereiro de 2002, destacou na capa: “Televisão causa dependência”.  Na matéria, os pesquisadores Robert Kuebey e M. Csilkszentmihalyi, da Universidade de Claremont, concluem que a maioria dos critérios de dependência química aplica-se a pessoas que assistem muito à TV. Entre os critérios usados por psicólogos e psiquiatras para descrever a dependência química, estão: passar muito usando a substância, usá-la com mais frequência do que se pretendia, pensar em reduzir o uso ou fazer tentativas repetidas e mal-sucedidas de reduzi-la, abrir mão de importantes atividades sociais, familiares e ocupacionais para usá-la e relatar sintomas d síndrome de abstinência. “Todos esses critérios podem se aplicar a pessoas que assistem muito TV, dizem os pesquisadores”.

De acordo com os pesquisadores, vários estudos demonstram que o “feitiço” da TV reside em sua capacidade de acionar um tipo de resposta-padrão instintiva visual e auditiva a estímulos repentinos ou novos. Os vasos sanguíneos que alimentam o cerébro dilatam-se, o coração desacelera, os vasos para os principais músculos estreitam-se. O cerébro concentra sua atenção em colher mais informação enquanto o resto do corpo se aquieta” descrevem os pesquisadores. Sem nos darmos conta, para ver televisão escolhemos aquela postura que permita o máximo de comodidade e o mínimo de movimento, ou seja, a mínima consciência de nosso corpo, com o objetivo de não tirarmos nossa atenção da TV.

 

Domando o “drácula” – Como se percebe, diversas são as razões por que deveríamos dominar o “drácula eletrônico”.

·         A TV impõe mudanças de personalidade e estilo de vida, além de afetar o inter-relacionamento social do indivíduo, desde o palavreado até suas opiniões pessoais.

·         Promove o distanciamento familiar e contribui, segundo Ailton Amélio, do Instituto de Psicologia da USP, para o quadro de dissolução de muitos relacionamentos.

·         Oferece um mundo falso, onde tudo se resolve e isso traz uma falsa tranquilidade.

·         Promove o consumismo. “A publicidade cria necessidades onde elas não existem”, converte o ser humano em mercadoria, e a televisão tem de sua parte todas as vantanges para realizar isso.

·         Influencia negativamente as crianças, por meio dos super-heróis. Bonitos, ágeis, “justos”, mas extremamente violentos, que resolvem tudo com os punhos. Assim, elas não apreciarão aqueles cujos métodos são pacíficos, baseados no amor e no perdão.

·         A TV promove intensamente ideologias anticristãs, como a Nova Era, o evolucionismo, o espiritualismo e as ciências ocultas. E, como já dizia Goebbels, uma mentira insistentemente repetida acaba adquirindo aparência de verdade.

 

Pr Marcelo Oliveira

 

Bibliografia: BORGES, Michelson. Os Bastidores da Mídia. Editora Casa

                   CALAZANS, Flávio. Propaganda Subliminar Multimídia. Ed. Summus

                   BLÁZQUES, Niceto. Ética e Meios de Comunicação. Ed. Paulinas 

4 Responses to Televisão, um “drácula eletrônico”

  1. Caro amigo e pastor Marcello de Oliveira,
    A Paz do Senhor!
    Parabéns pelo brilhante, edificante e elucidativo texto.
    Que o Eterno nos dê sabedoria do alto para encontrarmos o equilíbrio necessário para a utilização saudável desse instrumento que é a televisão. Um grande abraço!
    Seu conservo em Cristo,
    Pr. Carlos Roberto

  2. Marcello de Oliveira disse:

    Nobre pastor Carlos, eu que agradeço seu carinho, amizade e apoio. O ETERNO nos conduza em triunfo e nos guarde do mal.

    Volte sempre!

    Pr Marcello

  3.  
    Of  "Oferece um mundo falso, onde tudo se resolve e isso traz uma falsa tranquilidade.   Promove o consumismo. “A publicidade cria necessidades onde elas não existem”, converte o ser humano em mercadoria, e a televisão tem de sua parte todas as vantagens para realizar isso."                                                       Esse fragmento do texto que coloquei em destaque foca  a essência maligna do poder do 'drácula eletronico', e o mais lamentável: "são muitos os líderes cristãos que estão nesta prática e fazendo uso destes recursos, ou seja, oferecem um mundo falso e criam necessidade onde elas não existem". Além de propagar um falso evangelho ainda induz as pessoas a comprarem produtos que em nada edificam o cristão.  
              Abraços,Fabio – cristaodebereia.blogspot.com

     
       

  4. Caro Pr. Marcelo de Oliveira,
    Shalom!
    Avisar! Avisar! Avisar! Ele É Santo! Jesus Cristo, o nosso Senhor é Santo!
    Avisar, porque é Santo, Santo, Santo. O nosso Senhor é Santo!
    É necessário que se anuncie o terrível momento que estamos vivendo e convivendo com a farsa. A farsa tornou-se uma referência à Sociedade, em todos os níveis de violência, imoralidade e provocação social.
    Não há mais respeito à nossa volta. Os níveis desrespeito é imposto por novelas e programas que ridicularizam o normal e valorizam o anormal.
    Os valores são descritos como banais em uma sociedade que, valoriza a interação por meio de mensagens de textos e mentiras criadas nas redes sociais, para encobrir as farsas e provocar sentimentos irreais com a realidade humana.
    Criou-se fantasias de todos os tipos e, já não conseguem conviver com a pura realidade. A realidade choca e provoca tremedeira em qualquer mortal.
    As notícias mais valorizadas nos jornais e na internet, normalmente são as conduzidas pelos acontecimentos encenados nas novelas como se fizessem parte da vida real. 
    Acreditar na mentira já é algo comum. Principalmente, quando se fala a verdade e perde-se o direito de defesa e o retorno à realidade. A mentira encobre qualquer farsa como um vampiro que suga até o fim o sangue de suas vítimas.
    Será que vampiro existe? 
    Parece até que sim!
    Aproveito para agradecer o livro de sua autoria me entregue nos EUA e já todo lido: Orvalho do Céu. Maravilhoso presente!
    O Senhor seja contigo, nobre pastor,
    O menor dos teus irmãos.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *