Category Archives: Pérolas

De onde surgiu a palavra “cosmético”?

Havia na Grécia mais remota os kosmetés, isto é, funcionários encarregados de dirigir e educar os jovens. Com o tempo, o nome se estendeu ainda aos camareiros, criados de quarto incumbidos da higiene de seus senhores, sendo a missão atribuída, entre as damas, a outras damas cabeleireiras, pois as cabeleireiras sempre foram objeto de muito cuidado e sérios zelos, não só da parte de mulheres como de homens.

Sabe-se que cabelos curtos ou raspados eram sinal de inferioridade e de escravidão. Assim, a palavra kosmétes entrou no vocabulário helênico para nos dizer de todo aquele que ordena, organiza, embeleza, seja serviçal ou armador.

Ora, sabemos o que quer dizer cosmético entre nós. Os dicionários informam que são ingredientes com que se procura a beleza da pele e dos cabelos. Positivamente grego o vocábulo e quase inalterável o seu sentido até nós, tão constantes que são através dos séculos os cabeleireiros e a vaidade humana. Mas não é tudo. Se vamos adiante, encontraremos um fato lingüístico muito curioso.

As ideias de cosmético, cabeleireiro [a], adorno, enfeite vão entrar em íntima relação com outro vocábulo que nada nos diz acerca do segredo de sua origem. Refiro-me a palavra Cosmos. Primitivamente, Cosmos não era esse Universo, diante do qual os filósofos cismam, os cristãos meditam, os poetas sonham. Kôsmos era o vestuário das mulheres atenienses, incluindo-se nele todos os adornos e jóias e adereços e feitiços dos seus famosos guarda-roupas. Portanto, Cosmos e Cosmético nasceram de um tronco comum relacionados com a elegância e a beleza femininas. Vaidade nos cabelos e vaidade nos vestidos. Aliás o vocábulo Kôsmos não se restringe a sinônimo de universo, mas também ainda o sentido de ordem, decência, conveniência, constituição (no grego atual), enfim coisa perfeitamente organizada. Figuradamente conserva, como vestígio de sua origem, as acepções crescentes de adereço, honra e glória.

Pr. Marcelo Oliveira

Elifaz, Bildade e Zofar – Quem é você?

Os três amigos de Jó eram idosos (Jó 32.6) e mais velhos que Jó (15.10), mas parece que o mais velho de todos era Elifaz. Seu nome aparece primeiro e, ao que parece, o Senhor o considerava o membro mais velho do trio (42.7). É associado a Temã, um lugar conhecido por sua sabedoria (Jr 49.7). Elifaz baseou seus discursos em duas coisas: nas próprias observações acerca da vida(“segundo eu tenho visto”, “Bem vi eu” – Jó 4.8; 5.3, 27) e numa experiência assustadora que teve certa noite (Jó 4.12-21). Elifaz confiava muito na tradição (Jó 15.18,19), e o Deus que ele adorava era um Legislador rígido.

“Acaso, já pereceu algum inocente?” (Jó 4.7), perguntou ele, e incontáveis mártires poderiam dizer: “Nós”! (Que dizer do Senhor Jesus Cristo?). Elifaz possuía uma teologia inflexível que não deixava muito espaço para a graça de Deus.

É bem possível que Bildade fosse o segundo mais velho, uma vez que seu nome aparece em segundo lugar e ele fala depois de Elifaz. Pode-se descrever Bildade com uma só palavra: legalista. Seu lema era: “Eis que Deus não rejeita o íntegro, nem toma pela mão os malfeitores” (Jó 8.20). Era capaz de citar provérbios antigos e, assim como Elifaz, tinha profundo respeito pela tradição. Bildade estava certo de que os filhos de Jó eram pecadores (vv. 4). Não demonstra sensibilidade alguma pelo amigo sofredor.

Zofar, era o mais jovem dos três e, sem dúvida, o mais dogmático. Fala como um diretor de escola dirigindo-se a uma turma de calouros ignorantes. Sua abordagem insensível é: “Sabe, portanto”! (Jó 11.6; 20.4). Não se mostra de modo algum, um homem misericordioso e diz a Jó que, tendo em vista seus pecados, Deus o estava fazendo sofrer muito menos que merecia (Jó 11.6).

Seu lema era: “Porventura, não sabes tu que desde os tempos […] o júbilo dos perversos é breve e a alegria dos ímpios momentânea?” (Jó 20.4,5). É interessante observar que Zofar só se dirige a Jó em duas ocasiões. Ou ele decidiu que não era capaz de refutar a argumentação de Jó, ou considerou uma perda de tempo tentar ajudar o amigo.

Algumas das palavras desses três homens são boas e verdadeiras, enquanto outras são insensatas. De qualquer modo, por terem uma visão restrita, não puderam ajudar o amigo. Sua teologia não era vital nem vibrante, mas morta e rígida, e o Deus que tentaram defender era pequeno o suficiente para ser compreendido e explicado.

Por que alguém faria a um amigo do modo como esses três homens falaram a Jó? Por que estavam zangados? Encontramos uma pista nas palavras de Jó: “Assim também vós outros sois nada para mim; vedes o meu sofrimento e vos espantais” (Jó 6.21).  Esses três homens estavam com medo de que as mesmas calamidades acontecessem com eles! Portanto, precisavam defender seus pressupostos de que Deus recompensa os justos e castiga os perversos. Enquanto fossem justos, nada de mal lhes aconteceriam nesta vida.

O medo e raiva muitas vezes andam juntos. Ao afirmar sua integridade e se recusar a dizer que havia pecado, Jó abalou a teologia dos seus amigos e tirou deles sua paz e confiança, o que, por sua vez, os deixou zangados. Deus usou Jó para destruir a teologia superficial desses homens e desafia-los a aprofundar-se no coração e na mente do Senhor. Infelizmente, preferiram o superficial e seguro ao invés do profundo e misterioso.

Elifaz, Bildade e Zofar têm vários discípulos hoje. Sempre que encontram uma pessoa que se sente obrigada a explicar tudo, que tem uma resposta pronta para todas as perguntas e uma fórmula fixa para resolver todos os problemas, voltamos ao monturo como Jó e seus três amigos. Quando isso acontecer, devemos nos lembrar das palavras do psicólogo suíço, Paul Tournier:

Ansiamos quase sempre por uma religião fácil, simples de compreender e simples de seguir; uma religião sem mistérios, sem problemas insolúveis, sem dificuldades inesperadas; uma religião que nos permita escapar de nossa condição humana miserável; uma religião na qual o contato com Deus nos poupe de todo conflito, toda incerteza, todo sofrimento e toda dúvida; em resumo, uma religião sem a cruz”.

Pr Marcelo Oliveira

Bibliografia: Wiersbe, Warren. Comentário Expositivo. Geográfica Editora.

Terrier, Samuel. Jó. Editora Paulus.

 

 

Tomé e a manifestação da verdadeira fé

“Disse, pois, Tomé, chamado Dídimo, aos seus condiscípulos: Vamos nós também, para morrermos com ele” (João 11.16).

Poucas palavras expressam um compromisso tão grande como estas de Tomé. Jesus insiste em retornar a Judéia (11.7). Seus discípulos tentam dissuadi-lo (11.8), mas ele se mantém irredutível. É quando Tomé concita os demais a irem, mesmo que seja para morrer com ele.  Verdade é que, como os demais, acabou fugindo (Mt 26.56). Mas recuperou-se, gastou sua vida na obra missionária, e morreu como mártir. Desta maneira, sua fala não foi retórica. Ele foi para morrer por Cristo. Cumpriu o que disse.

Tomé nos mostra como se manifesta a verdadeira fé. Vemos hoje uma fé infantil, em que as pessoas buscam apenas bênçãos, reivindicam, declaram, mas nao se comprometem a ponto de mostrarem-se dispostas a morrer por Jesus. Isto nos deixa com cristãos imaturos, que não se engajam e vêem o cristianismo apenas como algo por receber de Deus.

Jesus censurou uma multidão que o seguia por causa dos pães: “Em verdade, em verdade vos digo que me buscais, não porque vistes sinais, mas porque comestes do pão e vos saciastes” (Jo 6.26). São os cristãos “Enche minha barriga, Senhor!”. Hoje vemos seus parentes: “Enche-me de bênçãos, Senhor!”. São cristãos que não amam ao Senhor, apenas suas bênçãos. Mas a essência da vida cristã é o amor a Deus, não às suas bênçãos!

Assim diz Mateus 10.37-40: “Respondeu-lhe Jesus: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma, e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás ao teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas”. Isto é vida cristã! Como é significativa uma das linhas do hino 62 do HCC: “Eu te amo na vida e na morte também!”. A verdadeira fé é aquela que ama ao Senhor, em qualquer circunstância, independente do que ele nos dê. Ele já deu, e muito, no Calvário: o perdão dos pecados, a adoção de filhos, a vida eterna. Um amor tão grande merece uma fé grandiosa, como a de Tomé, que mostre que estamos dispostos a morrer por ele. Mas, quantos dos cristãos infantis que seguem a Jesus por causa de bênçãos, estariam dispostos a morrer por ele? Porque uma coisa é amar as bênçãos, e outra é amar o Senhor das bênçãos.

Conta-se a história de uma louca que carregava em uma das mãos um balde com água, e na outra um archote aceso. Quando lhe perguntavam o porquê de tão estranha bagagem, ela respondia: “Com esta água, eu queria apagar o fogo do inferno, e com este fogo incendiar o céu. Para que Deus fosse amado pelo que é e não temido ou amado pelo que pode fazer por nós”. De louca a mulher não tinha nada. Pelo contrário, até nos ensina uma lição: devemos estar dispostos a amar o Senhor até à morte, se preciso for. Pelo que ele é, e não por suas bênçãos.

Esta é a verdadeira fé, a que não faz de bênçãos a sua força motriz, mas que se origina no autêntico e sincero amor a Deus. Que cada um de nós tenha a coragem de Tomé, de caminhar com o Senhor em qualquer circunstância. Mesmo se for para o sofrimento. Até para a morte. Jesus merece nossa lealdade.

Pr Isaltino Gomes

Vende-se!


Todos nós já vimos uma tabuleta com esta inscrição por sobre um veículo, nas páginas de um jornal, em frente a uma casa ou terreno, etc., etc. Desde tempos imemoriais o homem compra e vende, vende e compra.
Jesus referiu-se ao excesso de negócios que eram realizados no tempo de Noé, numa antevisão dos últimos dias, os quais certamente já começamos a viver.  Compra-se e vende-se por toda parte. Em todos os lugares. Por todos os meios. Para todas as pessoas. Em todo o tempo.  Existem algumas coisas que nunca deveríamos comprar. Outras, que jamais deveríamos vender. Com certeza, temos tristes lembranças em ambas as direções.
Vizinho ao palácio do rei Acabe, de Samaria, havia um magnífico terreno, que o jizreelita Nabote herdara de seus antepassados e conservava com desvelo.  A propriedade  situava-se contígua ao palácio do rei, que a observava com frequência. Primeiramente, a observou. Depois, a apreciou. E, finalmente, a cobiçou.
 Certo dia o monarca encontrou-se com Nabote e lhe propôs um negócio vantajoso: trocar aquela vinha por uma horta, bem melhor, ou o rei lhe pagaria o preço certo.
Só que não havia uma placa na frente da vinha – VENDE-SE. O jizreelita ignorou as vantagens reais e foi direto ao assunto: Minha vinha não está à venda. Afinal de contas, era uma herança e pessoas sábias não vendem sua herança. Nabote detetou alguns pontos negativos na proposta do rei Acabe.
 Número um: a lei mosaica proibia o rei de comprar propriedades particulares.
 Número dois: o rei propös trocar uma vinha por uma horta e isso é potencialmente um mau negócio.
 Número três: o rei compraria por dinheiro e embora náo dissesse por quanto, Nabote sabia que o dinheiro se vai facilmente, enquanto as heranças são permanentes.
Número quatro: Uma herança que vinha há gerações precisava ser mantida e Nabote certamente pensou em seus filhos e netos, que m ereciam desfrutar daquilo que ele mesmo experimentava.
Quando o rei declarou a Jezabel que Nabote rejeitara sua proposta a ímpia, a temperamental rainha planejou a morte do dono da vinha e levou o rei a dela se apoderar.
Nabote pagou com sua vida o preço de sua fidelidade. Mas Acabe e Jezabel foram punidos por Deus pela tragédia que causaram. Como se usa dizer há séculos, o crime jamais compensa.
Xxxxx
   Acabe é um símbolo de Satanás, que náo deseja que os santos filhos de Deus desfrutem a herança que o Pai celestial lhes tem dado.
As vezes o Inimigo propõe a troca da herança e sempre por algo interior. Ou então oferece bastante dinheiro para adquiri-la.
 As Escrituras Sagradas são nossa primeira herança. Definitivamente náo podemos substitui-la. Ela é nosso leite, nosso pão, nossa espada, nossa lâmpada, nosso martelo e nosso espelho.
 Outra grande herança é nossa salvação. Nada pode ocupar o seu lugar. Ela é totalmente inegociável. Ela nos assegura o direito de entrarmos no Céu e lá vivermos eternamente. Ela alterou nossa condição  de miseráveis pecadores e nos conferiu o status de príncipes espirituais.
Nossa herança inclui a fé, o batismo com o Espírito Santo, os dons espirituais e a esperança da volta de Cristo, elementos que náo possuem preço para negociação na Bolsa de (falsos) Valores de Satanás.
Os ministros de Deus não devem negociar sua chamada, nem sua vocação, nem seu ministério. Muitos o compartilham hoje com atividades contrárias à forma de viver dos eleitos de Deus. Outros repartem o tempo devido ao púlpito sagrado com as cadeiras onde se assentam escribas e fariseus modernos.
Nabote náo pode morrer. Precisamos vë-lo e të-lo entre nós. Que Acabe se acabe, e Nabote permaneça.  Nossa vinha tem produtos celestiais que a horta de Acabe não cultiva.
Toda a fortuna de Acabe náo é suficiente para comprar um metro de terra da nossa fazenda-herança, que é incorruptivel e incontaminavel e não se pode murchar, como afirma a Escritura.
Povo de Deus, mantenhamo-nos em estado de alerta. Nossa herança não está à venda. Por favor, se alguem encontrar essa placa por aí, ajude a retirá-la.
Cuidemos de guardar para as futuras gerações o que as que nos precederam nos legaram: a bendita herança do Senhor.
Pr Geziel Nunes Gomes

Joana – mantenedora de Cristo

INTRODUÇÃO

Joana é o feminino de João. Significa “Iahweh mostrou favor” ou “Iahweh é gracioso”. Jesus mostrou favor e foi gracioso para com ela. Curou-a de alguma enfermidade. Seu marido era alto funcionário de Herodes, que era inimigo de Jesus, mas a graça do Salvador é para todos. Pobres e ricos, de baixa ou alta posição, e trabalhem onde trabalhem. Vejamos nossa personagem de hoje, a mulher que recebeu o favor de Jesus, e comprometeu sua vida com ele. São marcas que também devemos ter.

 

1. UMA MULHER CURADA POR CRISTO

Lucas 8.2. Não se diz qual foi a enfermidade. Ou se foi um caso de endemoninhamento. Segundo uma tradição antiga, ela e o marido são o casal mostrado em João 4.46-54. Jesus teria cobrado deles o compromisso (v. 48). Agora eles creram. Era o segundo milagre (Jo 4.54). Lição de Joana: quem foi agraciado por Jesus deve segui-lo. Joana: “Iahweh é gracioso”. Cuza: “modesto”. Ela responde à graça. Ele mostra o caráter que o nome expressa. Um casal nos bastidores. Há gente que ama os holofotes. Eles não.

2. UMA MULHER TESTEMUNHANDO DE CRISTO

Cuza: “alto funcionário” (Lc 8.3). Palavra grega traduzida em Mateus 20.8 como “administrador”. Erro da Igreja: só pregar para pobres. Ricos e bem situados também precisam de Jesus. Erros dos crentes bem situados: medo de testemunhar, como Nicodemos. Não tiveram medo. Atos 13.1: irmão de criação de Herodes era mestre na igreja. Influência do casal? História: Cuza perdeu posto no palácio, com seu testemunho. Queremos festa, não compromisso. Lição: testemunhar de Jesus mesmo que nos custe.

3. UMA MULHER MANTENEDORA DE CRISTO

Ela investiu em Cristo: Lucas 8.3. Seguia-o desde a Galiléia. Quem cozinhava? Quem lavava? Quem fazia as tarefas que competiam às mulheres? Quem os mantinha financeiramente? Mantinham Jesus com recursos e trabalho. Ele não tinha ocupação secular, e o um grupo que o acompanhava comia, bebia e se vestia. Isto é o reino de Deus. Quem foi tocado por Cristo serve a Cristo. Uns com a vida, outros com bens. Muitos hoje dão o louvor. É mais fácil que dar os bens. Mas ambos são necessários.

CONCLUSÃO

Joana é o vulto de hoje. Mas seu marido a acompanha. Um casal que pagou o preço de seguir a Cristo. Ambos perderam posição no palácio. Ganharam o reino. Ganharam um nome na história. Não perderam. Ganharam. Quem se compromete com Cristo sempre ganha.

Pr Isaltino Gomes Coelho

O novo calvinismo, os dons e o batismo infantil

Por Wellington Mariano

Acredito que grande parte dos leitores cristãos interessados em teologia e assuntos eclesiásticos já deve ter lido algum artigo que trate do assunto. Há quem defenda que o novo calvinismo não existe[1], há quem diga o contrário, mas não sendo este o propósito deste artigo, quero aproveitar o tema para discutir algumas tendências do novo calvinismo, a saber, sua posição em relação aos dons e batismo infantil.

Segundo a revista  Time, os líderes do neocalvinismo são os pastores John Piper, Mark Driscoll e Albert Mohler[2]. Mas qual a posição desses líderes em relação aos dons e o batismo infantil?  

Os artigos, em sua maioria, apontam o pastor John Piper como o líder do movimento, assim, portanto, saber o que ele pensa a esse respeito é importante. Piper, como a maioria dos pastores batistas, é contrário ao pedobatismo[3] e acredita na contemporaneidade dos dons[4], ou seja, crê que todos os dons são válidos para os dias atuais.

Mark Driscoll, assim como Piper, também é contra o batismo infantil[5] e acredita na contemporaneidade dos dons, aliás, ele mesmo escreveu que uma das características do novo calvinismo é o fato do movimento não ser cessacionista[6].

Albert Mohler, presidente do Southern Baptist Theological Seminary, assim como Piper e Driscoll, também é contra o batismo infantil[7], mas diverge destes quanto à contemporaneidade dos dons, não acreditando que todos os dons sejam para os dias atuais[8].     

Embora o artigo da Times tenha colocado estes três pastores como os líderes do movimento neocalvinista, vemos em muitos outros lugares outros pastores influentes também sendo citados como pilares do movimento, e alguns destes pastores são: Mark Dever, Joshua Harris e C. J. Mahaney. O que tais pastores pensam acerca dos dois pontos em questão?

Mark Dever é contra o batismo infantil[9]. Em se tratando dos dons disse que não é cessacionista na teologia, mas na prática. Disse também, citando o livro de D. A. Carson, Showing the Spirit, que foram os reformadores que passaram a fazer distinção entre dons e dons, e isso em reação ao que viram como excessos dos católicos[10].   

Joshua Harris é contra o batismo[11] infantil e é continuista[12].

C. J. Mahaney é continuista[13] e embora eu não tenha encontrado uma citação direta dele sendo a favor ou contra o batismo infantil, as duas igrejas e/ou ministérios que ele está ou esteve associado, Covenant Life Church e Sovereign Grace Ministries[14], não favorecem o batismo infantil.  

Concluímos, portanto, que se consideramos os líderes do neocalvinismo apontados pelo artigo da Time, o futuro do movimento caminha para ser continuista e contrário ao batismo infantil. O mesmo podemos dizer da segunda lista de pastores, pois o prognóstico se mantém.   

Dentre os líderes neocalvinistas que acreditam na contemporaneidade dos dons estão: John Piper, Mark Driscoll, Josh Harris e C. J. Mahaney.

Na lista dos líderes neocalvinistas contrários ao batismo infantil estão John Piper, Mark Driscoll, Al Mohler, Josh Harris e Mark Dever.      

Ao Amoroso Soberano Deus!



Os dentes dos filhos x dentes dos pais

Naqueles dias não dirão mais: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos é que embotaram? Pelo contrário, cada um morrerá por sua própria iniqüidade; os dentes de todo aquele que comer uvas verdes é que se embotarão” – Jeremias 31.19-30 (Almeida Século 21)

Ávidos por novidades, buscando destaque e atenção pelo inusitado, pregadores criaram uma doutrina que o cristianismo, em dois mil anos, nunca suspeitou haver: maldição hereditária. Aliás, o que tem de gente reinventando o evangelho é terrível. Como a competição é grande, as idéias mais esdrúxulas aparecem. Com esta, a pessoa, mesmo convertida, carrega uma maldição proferida por alguém, e precisa de uma reza forte para quebrar a maldição. O sangue de Jesus perdeu o poder, ou só funciona quando manipulado por alguém…

Deus diz que haveria um tempo em que ninguém sofreria a ação dos antepassados. Se os pais chupassem uvas verdes, os dentes dos filhos não embotariam. Os dentes dos pais, sim. Os dos filhos, que não chuparam, não. Quando seria isto? Logo a seguir, após esta declaração, Deus anuncia a nova aliança (Jr 31.31-34), a que faria por meio de Jesus Cristo (Mt 26.28). Na nova aliança, a responsabilidade é pessoal. Pai não transfere culpa, filho não herda culpa.

Deus repetiu isto por Ezequiel: “Que quereis vós dizer, citando na terra de Israel este provérbio: Os pais comeram uvas verdes, e os dentes dos filhos se embotaram? Vivo eu, diz o Senhor Deus, não se vos permite mais usar deste provérbio em Israel. Eis que todas as almas são minhas; como o é a alma do pai, assim também a alma do filho é minha: a alma que pecar, essa morrerá.” (Ez 18.2-4). O título do capítulo 18 de Ezequiel é “A responsabilidade é pessoal”

Não há salvação hereditária. Não há condenação hereditária. Não há maldição hereditária. Não há bênção hereditária. Cada pessoa  responde por si, diante de Deus. E não faz sentido o Cristo de alguns, tão fraco que sua obra não tem poder de cancelar maldições na vida da pessoa. Vemos uma incongruência hoje: um Cristo fraco e demônios fortes. A obra de Cristo é incompleta sem a oração do pastor. É ele quem quebra as maldições.

Quem está em Cristo é nova criatura (2Co 5.17). Seu passado morreu. O seguidor de Jesus não tem passado. O sangue de Jesus o aboliu! Saudades do tempo em que, ao invés de só cantar “Quero te louvar!”, cantávamos hinos com substância, como “O sangue de Jesus me lavou, me lavou…” e “Há poder, sim, força sem igual. Só no sangue de Jesus!”. Cantávamos o poder de Jesus. Quando alguém se converte, o sangue de Jesus o cobre, perdoa e elimina seu passado, dá-lhe nova vida. Pouco importa o poder de Satanás, seus asseclas e a força de suas maldições. O crente tem Jesus! E como diz 1João 4.4: “Filhinhos, vós sois de Deus, e já os tendes vencido; porque maior é aquele que está em vós do que aquele que está no mundo”. Sou habitação da Trindade e ela é maior que Satanás.

O que meu pai fez, não importa. O que meu avô fez, não importa. Importa o que eu faço. Como uso minha vida e como me porto diante de Deus. E conto com a ajuda do Espírito Santo para saber que chupar uvas verdes faz mal aos meus dentes. Se meus antepassados chuparam, o problema foi deles. Não caiu sobre mim. Se, desafortunadamente, eu as chupar, meus dentes sofrerão. Mas os de meus filhos, não.

O evangelho deixa claro: Cada um de nós responde por si diante de Deus. Cuide dos seus dentes. Não chupe uvas verdes e não culpe os seus pais pelos seus dentes embotados.

Pr Isaltino Gomes Coelho

Afinal, Acazias começou a reinar com 42 ou 22 anos?

Os escribas estavam sujeitos a cometer dois erros de redação. Um deles dizia a respeito aos nomes próprios e o outro relacionava-se aos números. Realmente, desejaríamos que o Espírito Santo restringisse todos os copistas das Escrituras ao longo dos séculos, impedindo-os de cometer erros de qualquer natureza. No entanto, uma cópia isenta de falha exigiria um milagre e Deus não quis que a divulgação de sua Palavra percorresse esse caminho.

Está além da capacidade de qualquer pessoa impedir todo e qualquer lapso da caneta ao copiar página após página de qualquer livro – sagrado ou secular. No entanto, podemos ter certeza de que o manuscrito original de cada livro da Bíblia, tendo sido inspirado diretamente por Deus, estava isento de todo erro.

Também é verdade que nenhuma variação comprovada nas cópias dos manuscritos originais que chegaram até nós altera alguma doutrina da Bíblia. Nesse ponto, pelo menos, o Espírito Santo exerce sua forte influência restritiva, ao supervisionar a tarefa de transmissão do texto.

Esses dois exemplos de discrepância numérica relacionam-se com a dezena dos números mencionados. Em 2 Crônicas 22.2 Acazias teria 42;  em 2Rs 8.26, apenas 22. Felizmente dispomos de informações adicionais no texto bíblico os quais nos mostram que o número correto é 22.  Em 2Rs 8.17 diz-nos que o pai de Acazias, Jorão, filho de Acabe, tinha 32 anos quando se tornou rei, vindo a falecer oito anos mais tarde, aos 40. Portanto, Acazias não poderia ter 42 à época em que seu pai morreu, aos 40!

O caso de Joaquim é semelhante. Sua idade ao ascender ao trono nos é fornecida por 2Crônicas 36.9,10: 8 anos, embora 2Crônicas 24.8 nos informa que tinha 18 anos. Há informações suficientes no contexto para convencer-nos de que 8 é o número errado, e 18, o certo. Em outras palavras, Joaquim reinou apenas três meses; no entanto, ele já era adulto e podia ser responsabilizado; “fez o que era mau aos olhos do Senhor” e por isso foi julgado.

Observe-se que em todos os casos é o número da dezena que varia. No de Acazias, temos 42 num relato e 22 no outro. No de Joaquim é 8 contra 18.

Pr Marcelo Oliveira

 

 

Lídia – Uma cristã para este tempo

INTRODUÇÃO

Asiática, nascida em Tiatira (v. 14). Nome vem da região da Lídia, onde Tiatira ficava. Seu nome era adjetivo, “a mulher lídia”. De alta posição social, solteira ou viúva; casa é sua (v. 15). A igreja em Filipos começou com ela. E alcançou pessoas de alta posição social: Atos 17.4 e 12. Convertida ao judaísmo, entendeu o evangelho (v. 14). Traços do seu caráter nos orientam em nossa vida. Uma cristã para este tempo.

1. UMA CRISTÃ PARA ESTE TEMPO DEVE SER UMA MULHER DEVOTA

“Ela adorava a Deus” (v. 14). Alcançada em reunião de oração (v. 13). Onde não havia sinagogas, os judeus se reuniam á beira de rios. Ela congregava com os irmãos. Lição: buscava a Deus e foi encontrada por ele. Ensina o valor da devoção ao Senhor e de congregar-se com os irmãos. Hebreus 10.25. Honra: primeira convertida na Europa. Mulheres piedosas são uma bênção para o reino.

2. UMA CRISTÃ PARA ESTE TEMPO DEVE TER UM AMOR SINCERO

Tinha posses. Era comerciante. Corantes da região de Lídia eram famosos. Hospedou os apóstolos (v. 15). Sua casa, local de encontro dos irmãos (At 16.40). As igrejas se reuniam em casas. 1Timóteo 5.10. Hospitalidade é virtude cristã: Hebreus 13.2, 1Pedro 4.9. Lídia tinha amor de atos, nao apenas palavras. Pôs recursos na obra.

3. UMA CRISTÃ PARA ESTE TEMPO DEVE MARCAR  VIDAS

Não é citada, mas está referida em Filipenses 1.3-7 (principalmente o v. 5) e 4.1-3. Parte dos heróis da implantação do evangelho. Não pregava, não “ministrava” louvor nem estudos, mas servia. Era serva de Deus. Pôs o que tinha a serviço do evangelho. Serviço cristão envolve bens materiais.. Lídia era serva e marcou vidas. Vida cristã não é busca de domínio, mas ser útil.

CONCLUSÃO

Uma mulher pouco conhecida, mas que nos deixa boas lições: o valor da devoção, o valor da hospitalidade e o valor da utilidade. Estas são marcas de um cristão. São achadas em nossas vidas? Graças a Deus por tantas Lídias! São mulheres cristãs necessárias a este tempo.

Pr Isaltino Gomes

O que aprendemos com Rode ?

INTRODUÇÃO

Rode significa “rosa”, em grego (rhode). Era doméstica na casa de Maria, mãe de João Marcos (vv. 12-13). Na igreja primitiva havia gente de posses, e com escravos gregos. Marcos era primo de Barnabé, outro irmão de posses, na igreja (Cl 4.10). Maria e Barnabé eram parentes. Barnabé era judeu cipriota (At 4.36), nascido, então, em Chipre. A família veio de fora, para Jerusalém. E Rode veio com ela. Assim a encontramos com os primeiros cristãos, ex-judeus. Ela, gentia, estava com eles. Havia uma grande mobilidade das pessoas, na época, o que facilitou a expansão do evangelho. Pensemos em um pouco em Rode, uma cristã comum, mas como todo cristão deve ser, uma pessoa marcante.

1. DE FORA, MAS ENTROU

Rode era gentia. Mas estava com a igreja. Não se diz explicitamente que era convertida, mas estava com os convertidos. Escravo não descansava, trabalhava enquanto os donos estavam acordados. Não se diz que ela estava orando, mas ela conhecia Pedro, e sabia o motivo das orações. É justo supor que fosse cristã. Alegrou-se em ver Pedro (v. 14). A palavra grega significa “comovida”.  Era de fora, gentia, mas abraçou a fé cristã. Bom ensino: a graça de Deus é para todos e quem a conhece deve abraçá-la. E deve se comover com as bênçãos de Deus. Deus não faz acepção de pessoas e escravos e crianças (gente sem valor) podem desfrutar da graça e serem instrumentos de Deus.

2. NÃO SE ABATEU COM A DESCRENÇA

Crentes curiosos: pedem algo a Deus, que responde, e eles não crêem (vv. 5, 15-16). Muitos de nós agimos assim! Rode não se deixou levar por questões racionalistas ou teológicas, muito menos com o descrédito para com ela (v. 15). Havia uma crença judaica de que cada pessoa tinha um anjo da guarda, parecido com a pessoa. Rode não quer saber de crença popular, mas viu que Deus responde a oração. Outro ensino: creia nas respostas de Deus. Não diga “Que coincidência!”, nem ore descrendo. Resposta de oração não depende de conhecimento, mas de Deus, que age como quer. Devemos crer no que Deus faz, sem desanimar diante das pessoas.

3. SAIU DE CENA

Não se lê mais nada de Rode. Simplesmente foi um acessório, dentro do contexto geral da revelação. Não se tornou grande vulto pelo que aconteceu. Muitos crentes querem ser “figurões” porque algo lhes aconteceu ou porque foram usados. Rode cumpriu seu papel. Entrou e saiu dele. Ela não era o tema central. O fundamental no texto é que Deus responde orações e age pelo seu povo. As pessoas são secundárias. Outro ensino: nada de culto à personalidade. Deus não nos deve nada. Alguém pode ser instrumento de Deus, mas a glória é dele, e não do instrumento.

CONCLUSÃO

Rode deveria ser uma adolescente, pois os criados eram alforriados quando passavam de um tempo determinado de serviço. Deus usa pessoas de todas as idades. Não importa a sua idade, você pode ser um instrumento para dar boas notícias a alguém. Deus usa pessoas de todas as camadas sociais. O rico Barnabé, a rica Maria e a escrava Rode. E outra mensagem: a igreja é para todos, quer ricos quer pobres. Deus não faz acepção de pessoas.