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Qual é a explicação científica do sol e a lua ter parado em Josué 10.12,13?

O livro de Josué registra vários milagres. Nenhum deles, contudo, é tão digno de nota, nem tão discutido, como esse que se refere a um dia prolongado, com o dobro das 24h normais. Foi o da batalha de Gibeom (Js 10.12-14). Tem-se objetado que se de fato a Terra houvesse parado de girar por 24h, uma catástrofe inconcebível teria esmagado o planeta e tudo o que estivesse em sua superfície.                         

Os que crêem na Onipotência de Deus de modo nenhum concordam com a idéia de que Iavé não teria impedido esta tragédia; o Senhor teria suspendido as leis físicas que provocariam o desastre. No entanto, com base no próprio texto hebraico, não nos parece crer que a Terra subitamente tenha parado, não executando mais seu movimento de rotação sobre si mesma. Assim diz o v. 13: “O sol, pois, se deteve no meio do céu, e não se apressou a pôr-se quase um dia inteiro”.  As palavras “não se apressou” parecem indicar um retardamento do movimento solar. Em vez de 24h, o dia teria sido de 48h.

Há apoio para esta idéia: pesquisas trouxeram à luz relatos de fontes egípcias, chinesas e hindus a respeito de um dia muito longo. Harry Rimmer que alguns cientistas do Observatório de Harvard traçaram a origem desse dia que falta aos tempos de Josué.

Outra possibilidade de interpretação decorre de um entendimento um tanto diferente da palavra hebraica dôm (traduzida por KJV por “mantém-te quieto”). É vocábulo que normalmente se traduz por “estar em silêncio”, “cessar”. Estudiosos como Robert D. Wilson, de Princeton, interpretam a oração de Josué como petição no sentido de o sol cessar de derramar seu calor sobre suas tropas em batalha, de tal modo que pudessem prosseguir lutando sob condições mais favoráveis. A tempestade destruidora, de granizo, que acompanhou a batalha, dá alguma credibilidade a essa opinião, a qual tem sido defendida por homens de inquestionável ortodoxia. No entanto, é preciso que se admita que o v. 13 parece favorecer o prolongamento do dia: “E o sol se deteve e a lua parou… O sol, pois, se deteve no meio do céu, e não se apressou a pôr-se, quase um dia inteiro.

Keil e Delitzsch sugerem que ocorreu um prolongamento miraculoso do dia, caso tenha parecido a Josué e a todo o Israel que ele se prolongou de fato, de modo sobrenatural. O exército conseguiu fazer em um dia o trabalho de dois. Teria sido difícil para eles dizer se a Terra estava girando a sua velocidade normal, se a sua rotação fosse o único critério para a medida do tempo. Eles acrescentaram outra possibilidade: Deus poderia ter produzido um prolongamento ótico da luz solar, tendo prosseguido sua visibilidade após a hora normal do pôr-do-sol, mediante refração especial dos raios solares.

Pr. Marcelo Oliveira

 

 

 

 

 

Pr Isaltino dá uma “invertida” em Mailson da Nóbrega

Na revista “Veja”, de 29.6.11, Maílson da Nóbrega, postou o artigo “Falácias e verdades”. Sempre leio sua coluna, porque desejo compreender matérias sobre as quais não estudei. Ele é economista e sabe Economia. Como estudei outras disciplinas, mas não esta, aprendo dele. Mas no “Falácias e verdades” ele sai da área da economia e cita a Bíblia. Como acontece com as pessoas que se aventuram a fazê-lo sem a conhecer, se equivoca duas vezes.

O primeiro equívoco é quando Maílson afirma: “O Sol, dizia a Bíblia, girava em torno da Terra”.  O segundo é quando diz que Galileu, que negou esta posição, chamada geocentrismo, e  afirmou o heliocentrismo (o Sol é o centro, e não a Terra), teve que se retratar “para não ser queimado vivo pela Inquisição”.

Li a Bíblia dezenas de vezes e li alguns de seus trechos nos originais hebraicos e gregos. Ainda não vi esta afirmação na Bíblia, de que o Sol gira ao redor da Terra. Cada semestre leio a Bíblia numa versão diferente. Não sei qual a versão que Maílson usou para fazer esta afirmação.

Outro equívoco é sobre Galileu ter se retratado de que a Terra girava ao redor do Sol “para não ser queimado vivo pela Inquisição”. Bem, Dr. Maílson, se ele fosse queimado morto não lhe faria muita diferença. Não sentiria nada. Mas esta afirmação é uma mentira que se cristalizou e que pessoas de cultura geral superficial repetem, por não examinarem. Apenas matraqueiam o que ouvem.

O inquisidor Roberto Bellarmine, ouvindo esta idéia de Galileu, foi procurá-lo. Em 1616, Galileu chegou a Roma, ficou hospedado na Vila Médice, encontrou-se com o papa mais de uma vez e compareceu a várias recepções. Bellarmine disse que ainda que tal teoria fosse provada, precisariam examinar com cuidado passagens bíblicas que “parecem ensinar o contrário” (afinal a Bíblia faz um relato fenomenológico, e não científico – como nós, que dizemos que “o Sol se pôs” ou “o Sol nasceu”). E que ele, pessoalmente, não acreditaria até que “tais provas (…) me sejam apresentadas”.

O problema surgiu em 1632, quando Galileu escreveu Dialogue concerning two chief world systems (“Diálogo sobre os dois máximos sistemas do mundo”). Nele, Galileu alegava ter demonstrado a verdade sobre o heliocentrismo. Um de seus argumentos era que o movimento da Terra ao redor do Sol causava as marés. Ele estava errado, pois é a Lua, basicamente, que causa as marés. Galileu também errou ao supor que os planetas se movem em órbitas circulares, mesmo com Kepler, tendo mostrado que as órbitas planetárias são elípticas. Galileu disse que Kepler estava errado, e hoje se sabe que  o errado era ele.

O problema foi que, para mostrar o diálogo entre os dois sistemas, Galileu ridicularizou o papa. O personagem científico representava Galileu. O personagem religioso representava o papa e se chamava Simplício (“Simplório”). Simplício fazia afirmações tolas e o  cientista as refutava com classe. A mesma tática que se emprega hoje: os religiosos são trogloditas culturais, retrógrados, indo contra o progresso. A ciência é a grande redentora, a libertadora dos preconceitos (embora os cientistas sejam grandemente preconceituosos, principalmente quando dão um toque de absoluto à suas afirmações e ridicularizaram os discordantes).

Galileu fez como Maílson: ao invés de ficar em sua área resolveu fazer afirmações sobre a Bíblia, dando sua interpretação de textos. Jesuítas lhe disseram que não se aventurasse neste terreno, porque não era sua alçada. Galileu ignorou este conselho, e continuou com suas “teologadas”. Quando foi denunciado à Inquisição, havia muito mais que geocentrismo e heliocentrismo em discussão.

Em 1633, Galileu foi a Roma, onde foi tratado com respeito. Poderia ter vencido o processo, mas descobriram que ele havia firmado um compromisso com Bellarmine, que o procurara em nome da Igreja, e que não honrara o compromisso. Não é verdade que ele tenha negado o heliocentrismo e dito, entre os dentes, “Mas ela se move”. Isto é lenda. Galileu não foi preso nem torturado. Ficou sob a tutela do arcebispo de Siena, em seu magnífico palácio, por cinco meses.

A Igreja não foi sensata no episódio. Mas Galileu não foi um cientista perseguido pelo obscurantismo religioso que se voltava contra o progresso. Como disse Whitehead: “Galileu sofreu uma detenção honrosa e uma leve repreensão, antes de morrer em paz em sua cama”. Recebeu tratamento mais respeitoso da Igreja que aquele que os cientistas hoje dão aos religiosos: fundamentalistas, reacionários, obscurantistas, anti-progressistas, etc. Porque, pior que a fogueira, é a execração pública. A fogueira mata logo. O ridículo diante do mundo mata todos os dias.

Ditas estas coisas, Dr. Maílson, faça o que o senhor sabe muito bem: fale de Economia. De Bíblia e de Teologia, pergunte antes de afirmar. Para os desconhecedores, o senhor arrasou. Para mim e outros que conhecem o assunto, o senhor “pagou mico”.

Pr. Isaltino Gomes

Dorcas, uma mulher amável e amada

INTRODUÇÃO

Tabita, no aramaico, e Dorcas, no grego, significam “gazela”. Os dois nomes indicam que esta mulher tinha trânsito em duas culturas. Sua ressurreição é uma das sete da Bíblia, incluindo a de Jesus. As outras foram efetuadas por Elias (1Rs 17.22), Eliseu (2Rs 4.35), Jesus (Mc 5.42, Lc 7.14, Jo 11.44) e Paulo (At 20.10). Dorcas é um modelo não apenas para mulheres, mas para todos os crentes em geral. Vejamos algumas marcas de sua vida.

1. PRIMEIRA MARCA – UMA MULHER AMOROSA

“Cheia de boas obras e esmolas que fazia” (v. 36, VR), ou “usava todo o seu tempo fazendo o bem e ajudando os pobres” (LH). Costurava “vestidos e túnicas” (v. 39). As palavras indicam as roupas de baixo e vestidos. Costureira de mão cheia e completa. Ela fazia o bem. Era conhecida por ajudar. Usava seu talento para ajudar os outros. O que fazemos para os outros com nossa vida? Nossos talentos servem a Deus ou só a nós?

2. SEGUNDA MARCA – UMA MULHER AMADA

Conseqüência. Quem é amoroso é amado. Sua morte causou comoção (v. 39). Pedro se deslocou de Lida para Jope. Quem ama é amado. Muitos pedem amor e reclamam que ninguém os ama. Amor é recíproco. Temos se damos. Ela deu. Teve. O nome indica beleza física. Bonita no caráter. Quem quer ser amado cultive a beleza do caráter, não só a física. Muitos malham em academia e fazem plásticas. Beleza do corpo. E do caráter?  É difícil amar uma pessoa feia por dentro. Amamos? Bonitos por dentro?

3. TERCEIRA MARCA – UMA MULHER CRISTÃ

A raiz de tudo: era uma cristã. Tinha visão correta da vida: amar ao Senhor e ser útil. É a única “discípula”, em todo o Novo Testamento. O título tinha o sentido de pessoa especial no evangelho. Teve reconhecimento da igreja. Foi útil na vida. Foi útil na morte (uniu as mulheres ao redor de si) e foi útil na ressuscitação: “muitos creram no Senhor” (v. 42). Isto é o melhor exemplo de um cristão dedicado: sua vida é útil em todos os sentidos. Temos vidas úteis?

CONCLUSÃO

Muitos pensam em vida cristã como receber bênçãos de Deus. Ou fazer barulho no culto. É ter uma vida de utilidade, que leve as pessoas a nos amarem pelo nosso caráter. É ser “cheio de boas obras”. É ser discípulo, aquele que está sempre aprendendo de Jesus. Dorcas, a gazela, era bonita no nome e no caráter. Uma exortação para todos nós, homens e mulheres. Sejamos amáveis para sermos amados. E sejamos úteis porque isto enriquece a vida.

Pr Isaltino Gomes

Nes Gadol Haya Sham !

Nes Gadol Haya Sham

As 4 letras do Dreidel ou Sevivon (um peãozinho usado na festa de Hanuká para uma brincadeira que é feita pelas crianças).

A primeira coisa que uma pessoa pode notar é que as 4 faces do dreidrel tem 4 letras hebraicas uma em cada face do peão. As 4 letras hebraicas são a Nun, Gimel, Hey e Shin.

As iniciais da frase: ‘Um Grande Milagre Aconteceu lá’ ou em hebraico

‘Nes Gadol Hayá Sham’ ??? ?????? ????? ????

A primeira coisa a se notar é que o valor numérico destas 4 letras ???? juntas é 358,  igual ao equivalente numérico da palavra Mashiach (Messias).

Esta mensagem escondida nas letras do dreidel nos informa que o grande milagre que aconteceu lá (Jerusalém) foi a Luz do Messias (Yeshua) e sua redenção para assim mudar o mundo.

Para os judeus que moram em Israel, eles decidiram mudar a ultima palavra que é ‘lá’ em hebraico ‘Sham’, para a palavra ‘aqui’ que em hebraico é ‘Pó’, por uma razão muito obvia.

Então as letras iniciais do dreidel seria: ‘Um Grande Milagre Aconteceu Aqui’.   Nes Gadol Hayá Pó.

Então as letras iniciais seriam ????

E o valor numérico é 138 que seria o equivalente numérico das palavras Menachem (Consolador) e Tzemach (rebento) ambos os títulos ou atributos do Messias.

No Midrash Mishlê (comentário rabínico – provérbios); Rav Huna fala dos sete nomes para o Mashiach, também tirado de Isaias 9:5: Rav Huna disse: ‘o Messias será chamado por sete nomes dos quais são; Yinon, Tzidikeinu [‘nossa justiça’], Tzemach [‘rebento’], Menachem [‘Conforto’], David, Shiloh, and Eliahu.3 “O Messias é chamado por oito nomes: Yinon, Tzemach, Pele [‘Milagre’], Yo’etz [‘Consolador’], Mashiach [‘Messias’], El [‘D-us’], Gibor [‘Forte’],
and Avi ’Ad Shalom [‘Pai eterno da Paz’].”4

B. Zahav

Adaptado por Marcello Oliveira

1 Shalom, Piska 36, p. 41.
2 Braude, Piska 36, p.671.
3 Yehuda ibn-Shmuel, ed., Midr’she G’ula (“Midrashim of Redemption”)

As consequências da conversão de Saulo

É maravilhoso ver a transformação que ocorreu na vida de Saulo, especialmente em seus relacionamentos. Ele se tornou mais reverente a Deus, conforme podemos observar em sua oração. Como fariseu, ele já devia ter orado muitas outras vezes, ou pelo menos lido algumas orações, publicamente ou quando estava sozinho. Mas agora ele podia desfrutar de um novo acesso a Deus através de Cristo e de uma nova percepção da paternidade de Deus quando o Espírito Santo testemunhou em seu espírito que ele era filho de Deus. O ilustre comentarista G.H. Lenski disse: “O leão feroz se transformou em um manso cordeiro”.

O relacionamento de Paulo com a igreja mudou completamente. Quando Ananias visitou Saulo e lhe impôs as mãos, dirigiu-se a ele como “irmão Saulo” ou “Saulo, meu irmão”. Essas palavras tocam nossos corações. Elas devem ter soado como música aos ouvidos de Saulo. O quê? O arquiinimigo da igreja recebido como irmão? Sim! Paulo levantou-se e foi batizado na comunidade cristã. Três anos depois, em Jerusalém, os discípulos ainda estavam céticos quanto à conversão de Paulo, mas Barnabé o levou até eles. Devemos dar graças a Deus por Ananias, em Damasco, e por Barnabé, em Jerusalém. Se eles não tivessem dado boas vindas a Paulo, a história da igreja seria outra.

Por fim, Paulo tinha agora uma nova responsabilidade para com as pessoas. Já na estrada de Damasco, Jesus lhe havia dito que ele precisava dar testemunho de tudo o havia visto e ouvido. Ananias confirmou seu chamado como apóstolo aos gentios. Ele também foi advertido que sofreria. De fato, ele precisou ser retirado às escondidas de Damasco e fugir para Jerusalém. Assim, a história da conversão de Saulo começa com sua chegada a Damasco levando uma autorização oficial do sumo sacerdote para prender os cristãos e termina com sua chegada a Jerusalém, como fugitivo.

O mundo está cheio de pessoas como Saulo. Pessoas inteligentes e íntegras, mas flexíveis e intolerantes em relação a Cristo. Não podemos perder a perspectiva de que essas pessoas precisam primeiro se converter para que seus relacionamentos sejam transformados. Por isso devemos exalar a maravilhosa graça de Deus. Amém!

Pr Marcelo Oliveira

Bibliografia: Stott, John. A Bíblia Toda, Ano Todo. Ed. Ultimato

                           Stott, John. A mensagem de Atos. Ed. ABU

Mal(ben)dita seja a cidade

Na Bíblia, o tema da cidade é um dos mais relevantes. O nascimento da cidade tem origem na arrogância humana e na independência do homem em relação a Deus. É a linhagem de Caim que dá início à cidade: “Depois Caim fundou uma cidade, à qual deu o nome do seu filho Eno­que” (Gn 4.17b). Caim representa a auto-suficiência humana. Tendo perdido o Éden, o homem está diante da ruptura ecológica da terra que agora produzirá “espinhos e ervas daninhas” (Gn 3.18). A solução humana é apostar em Caim, que não só se revela ingrato para com Deus, mas comete o primeiro assassinato da história bíblica. Caim amplia a ruptura com Deus, com o próximo e com a terra. A solução para os seus problemas é uma só: “fundar uma cidade”. Portanto, a cidade surge como a marca maior da arrogância humana contra Deus. Acompanham a cidade, o surgimento da ciência, da economia e da arte (Gn 4.20-22). O ápice desse progresso perverso aparece quando o texto de Gênesis afirma que o sétimo depois de Adão, pela linhagem de Caim, é Lameque, o primeiro bígamo da história, grande “precursor dos filmes de ‘ação’ de Hollywood”. Os “efeitos especiais” até fazem parte do discurso dele:  “Ada e Zilá, ouçam-me; mulheres de Lameque, escutem minhas palavras: Eu matei um homem porque me feriu, e um menino, porque me machucou.” O quadro é simplesmente assustados e apavorante!

Não muito tempo depois, a situação da cidade piora ainda mais. Em Gênesis 11, os homens querem construir uma cidade que pudesse invadir o céu. No mesmo espírito de Caim, eles agora aprofundam a arrogância humana, dizendo: “Vamos construir uma cidade, com uma torre que alcance os céus. Assim nosso nome será famoso ­e não seremos espalhados pela face da terra” (Gn 11.4). A gramática hebraica permite que a expressão “cidade, com uma torre” seja traduzida por “cidade que cresce para o alto”. Como os antigos achavam que o céu estava a cerca de dois quilômetros da terra, a idéia era “invadir o céu”. Era uma espécie de movimento dos “sem céu”, ou dos “invasores do condomínio celestial”. Os homens já “sem terra” e “sem céu”, tornam-se agora “sem comunicação”! De fato, o movimento inicial das cidades cresceu desordenadamente e foi um grande desastre.

Mais uma vez, só Deus para salvar o enredo humano. De forma inesperada, Deus surge da maneira como ninguém poderia esperar. Deus resolve dar início à redenção da cidade por meio de sua própria iniciativa. Por incrível que pareça, Deus constrói e age a partir da mais soberba rebeldia humana. A ação redentora e salvífica de Deus na história tem seu grande centro na monarquia davídica. A própria figura do rei surgira também como sinal da rebeldia e arrogância humana contra Deus (1Sm 8.5-7). Ao querer um rei, imitando os demais povos pagãos, o povo de Israel estava rejeitando a Deus. No entanto, Deus, surpreendentemente não só escolhe um rei, Davi, como também elege uma cidade, Jerusalém. Os símbolos maiores da auto-suficiência e independência humanas tornam-se símbolos da intervenção redentora divina. A suprema derrota transforma-se em vitória absoluta! Os textos bíblicos são inequívocos: “Darei uma tribo ao seu filho a fim de que o meu servo Davi sempre tenha diante de mim um descendente no trono em Jerusalém, a cidade onde eu quis pôr o meu nome (1Re 11.36)” e: “Não jurem de forma alguma: nem pelos céus, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o estrado de seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande Rei (Mt 5.34,35). Como podemos ver, a monarquia davídica e a cidade de Jerusalém tornam-se o principal palco da intervenção divina na história em favor do homem pecador.

Todavia, a história ainda não termina aqui. O mais surpreendente de tudo aparece no Apocalipse, quando o desfecho da história humana traz de novo a figura da cidade. O texto sagrado é de “parar a respiração”: “Então vi novos céus e nova terra, pois o primeiro céu e a primeira terra tinham passado; e o mar já não existia. Vi a Cidade Santa, a nova Jerusalém, que descia dos céus, da parte de Deus, preparada como uma noiva adornada para o seu marido. Ouvi uma forte voz que vinha do trono e dizia: “Agora o tabernáculo de Deus está com os homens, com os quais ele viverá. Eles serão os seus povos; o próprio Deus estará com eles e será o seu Deus. Ele enxugará dos seus olhos toda lágrima. Não haverá mais morte, nem tristeza, nem choro, nem dor, pois a antiga ordem já passou” (Ap 21.1-5). Que coisa! A Nova Jerusalém parece o Éden “urbanizado”. Parece que o antigo jardim passou por um projeto de “arquitetura celestial”. O Éden da redenção é melhor do que o da criação!  A cidade que marcou o início do pecado humano é agora marca máxima da redenção. A cidade humana sobe do chão, a cidade de Deus desce dos céus. A cidade humana é efêmera, a de cidade de Deus é eterna. A cidade humana trouxe fragmentação e dor, a cidade de Deus traz união e cura. Deus faz questão de mostrar sua vitória a partir do símbolo máximo do poderio e independência humanos. É surpreendente e verdadeiro: Deus traz a redenção a partir da pior desgraça humana. Diante dessa palavra de esperança e de vitória, olhe lá fora e veja como o sol está mais brilhante, o céu está mais azul, e o ar está menos poluído. Amém!!!

Luiz Sayão – Teólogo. Hebraísta. Coordenador Geral de Tadução da Bíblia NVI. Recentemente, prefaciou meu livro: Reflexões sobre a vida de Paulo – que pode ser adquirido neste site na Seção – Meus Livros

Fonte: www.prazerdapalavra.com.br

Onde estão os pregadores?

Onde estão os pregadores plenamente comprometidos com a essência do Evangelho de Cristo, capazes de ministrar o trigo da Palavra sem o joio das imaginações humanas, tão a gosto da modernidade homilética?

Onde estão os pregadores vestidos de simplicidade e revestidos de transparência, capazes de oferecer o testemunho de sua própria vida como pano de fundo para suas mensagens?

Onde estão os pregadores dispostos a abrir mão de aplausos e de gestos bajuladores, de conchavos e de barganhas que comprometem a seriedade da mensagem da Cruz e ofuscam o brilho da glória da Ressurreição do Santo Jesus?

Onde estão os pregadores que não se vendem por honrarias, não se trocam por homenagens extemporâneas e não se maculam com subvenções de origem obscura?

Onde estão os pregadores que rejeitam ser conduzidos por empresários de profetas, agenciadores de compromissos e mercadejadores de astros e estrelas?

Onde estão os pregadores que ainda se atrevem a pregar sobre os longos cravos, as grossas gotas de sangue e os momentos de agonia do Nazareno?

Onde estão os pregadores que ainda se arriscam a pregar o arrependimento e a confissão de pecados, a humildade e a renuncia, a santidade e o jejum?

Onde estão os pregadores que ministram sobre a Vinda de Cristo, não para serem admirados por sua memória, senão para serem tocados pela sua compaixão?

Onde estão os pregadores que tomam tempo aos pés do Amado, até que se sintam encorajados a dizer: “eu vos entreguei o que recebi do Senhor Jesus…”?

Onde estão os pregadores que não substituem Paulo por Flávio Josefo, Isaias por Sêneca e Jeremias por Victor Hugo?

Onde estão os pregadores que não estão obcecados por encantar o auditório com truques de oratória, visto que estão inundados pela unção plena do Avivamento real, que é capaz de levar quase três mil almas de uma só vez a um estado de quebrantamento real?

Onde estão os pregadores que ainda valorizam os apelos para salvação de vidas, ao invés de simplesmente fazerem delirar as multidões com promessas de carro zero e vida sem lutas e aflições?

Onde estão os pregadores que seguem o exemplo de Ezequiel, que somente foi e falou à casa de Israel depois que comeu o rolo por inteiro?

Onde estão os pregadores que não pretendem usar o púlpito para desabafos, preferindo sofrer a fazer sofrer, perder a fazer perder e morrer a fazer morrer?

Onde estão os pregadores que não foram atacados de amnésia, esquecendo por completo de pronunciar em suas mensagens as palavras pecado e arrependimento?

Onde estão os pregadores que não admitem ser o porta-voz do Mundo, visto já serem a boca de Deus, a voz do que clama no deserto?

Onde estão os pregadores revoltados com a idéia de que a igreja seja um circo, o culto seja um show e o pregador um artista (ou palhaço)?

Onde estão os pregadores que fogem do perigo de manter as massas analfabetas da Palavra, estimulando-as à leitura habitual e meditação constante do Livro de Deus?

Onde estão os pregadores que levam em consideração o conselho de Spurgeon: “ se Deus te chamou para pregar, não aspires ser o rei da Inglaterra”?

Onde estão os pregadores que se pautam pela palavra de I Co 2.7, segundo a qual “ falamos a sabedoria de Deus em mistério, a sabedoria oculta , a qual Deus ordenou antes dos séculos?

Onde estão os pregadores que se fazem fracos para ganhar os fracos, e não poderosos para ganhar os poderosos?

Onde estão os pregadores que dão ao povo comida sólida, ao invés de um divertido fast food?

Onde estão os pregadores que se negam a fazer do ministério uma rendosa profissão, a fim de não perderem a benção de serem sacerdotes e profetas do Senhor?

Onde estão os pregadores que pregam APENAS a Palavra, como foi recomendado por Paulo e não um evangelho social, soft, light, raso e sem compromisso?

Alegra a todos os fiéis filhos de Deus saber que esses pregadores existem, não são uma classe em extinção, não perderam sua identidade nem sua autenticidade. O único problema é descobrir onde eles estão: se na cova de Adulão, se embaixo de um zimbro, se à sombra de uma aboboreira, se junto ao rio Quebar. Não é tão fácil encontrá-los.

Mas que existem, existem.

Uns pensam que somente existe Elias. Mas Deus diz que são sete mil.

Pr Geziel Nunes Gomes

Os 3 jardins mais importantes da história

O belo sempre nos encanta. Nossos olhos são atraídos pelo paisagismo dos belos jardins que estão engrinaldados de flores. Tenho a convicção que você já sentiu este encantamento ao visitar um “stand” de um belo apartamento, que em sua estrutura contava com belos jardins e um lindo paisagismo. A Bíblia também fala de alguns jardins. Nesta reflexão destacaremos os três mais importantes:

1. O jardim do Éden (Gn 1-3).

A história da humanidade começa num jardim, o jardim do Éden. Lá nossos primeiros pais viveram na inocência, desfrutando de todas as belezas daquele jardim. Naquele jardim desfrutavam de plena e intima comunhão com Deus. Naquele jardim, não havia dor nem tristeza. Tudo era belo e encantador. O pecado, porém, entrou no mundo por meio de Adão. Ele desobedeceu a Deus, e toda a raça humana caiu nas teias do pecado. Adão foi expulso do jardim e viu a terra produzir espinhos, viu sua mulher dar à luz com dores e viu o trabalho, até então deleitoso, tornar-se penoso.

O jardim do Éden foi perdido, e a raça humana mergulhou numa história de rebelião, tristeza e morte. O pecado de Adão o separou da natureza, de si mesmo, do próximo e de Deus. O pecado trouxe transtornos na natureza, nos relacionamentos humanos, bem como na relação com Deus. A partir da entrada do pecado no mundo, a história está marcada por lágrimas, doença, sofrimento e morte.

2. O jardim da Cidade Celeste (Ap 21 – 22).

A história da humanidade terminará num outro jardim, o jardim da Cidade Celeste. O jardim perdido será restaurado. Lá não entrará nenhuma maldição. Lá o pecado não penetrará suas portas. Lá as lágrimas serão enxugadas. Lá o sofrimento, a doença e a morte não entrarão. Nesse jardim, não haverá noite, pois o Cordeiro de Deus é a sua lâmpada. Nesse jardim, o rio da água da vida vai fluir do trono de Deus. Nesse jardim, os que foram expulsos por causa do pecado, e agora estão lavados pelo sangue do Cordeiro e vestidos de vestiduras brancas, entoarão um novo cântico àquele que está assentado no trono.

Nesse jardim reconquistado, teremos um novo corpo, cheio de glória, semelhante ao corpo de Cristo. Neste jardim, viveremos e reinaremos com Cristo pelos séculos dos séculos. Ninguém poderá nos separar uns dos outros nem nos afastar da presença daquele que nos deu vida abundante e eterna. Nesse jardim, as belezas mais esplêndidas da terra serão figuras opacas diante do seu exuberante esplendor.

3. O jardim do Getsêmani (Mt 26.36-46).

A história da humanidade revela que entre esses dois jardins, o jardim do Éden e o jardim restaurado, há o jardim da agonia, o jardim do Getsêmani. É pela desolação, pelo sofrimento e sacrifício vicário de Cristo, pela indescritível angústia no Getsêmani, que o “rio da vida límpido como cristal”, corre nesse jardim restaurado. Sem o Getsêmani, não haveria a Nova Jerusalém.

O apóstolo Paulo diz: “[…] quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte do seu Filho […]” (Rm 5.10). No jardim do Getsêmani, Jesus enfrentou solidão. Ali ele ficou sozinho quando travou a mais terrível batalha do universo. Ali Ele suou sangue quando resoluta e voluntariamente se entregou por nós. No Getsêmani, a antiga serpente, que enganou Eva no jardim do Éden, teve sua cabeça esmagada. Ali Jesus aceitou de bom grado o cálice amargo, de se fazer pecado e maldição por nós, ao sofrer a dolorosa e maldita morte de cruz em nosso lugar.

Ali, o Cordeiro de Deus, não levou em conta a ignomínia da cruz por saber que a alegria que lhe estava proposta, a alegria de nos salvar e nos reconduzir de volta ao jardim de Deus, o jardim restaurado da Jerusalém celestial. A Bíblia diz que onde abundou o pecado, superabundou a graça. Pela sua morte, Cristo trouxe vida; pelo seu sacrifício, redenção. Agora, por meio do seu sangue, temos livre acesso à presença do Pai e, quando da sua vida, entraremos no jardim restaurado de Deus, onde estaremos para sempre com Ele. Aleluia!

Rev. Hernandes Dias Lopes

Adaptado por: Marcelo Oliveira

Um espírito mau da parte do Senhor?

Talvez uma das perguntas mais discutidas nas igrejas cristãs seja essa. Como entender um texto bíblico que afirma que um “espírito mau” da parte do Senhor atormentava Saul (1Sm 16.14)?

Na verdade o problema parece ser mais complicado quando vemos que esse texto não é único. Há diversos outros textos bíblicos semelhantes: Em Juízes 9.23 lemos que Deus envia um “espírito mau” para atuar entre Abimeleque e os “cidadãos de Siquém”; 1 Samuel 18.10 e 19.9 trazem mais informação sobre o espírito mau da parte do Senhor e Saul; 2 Crônicas 18.19-22 fala até de um “espírito mentiroso” colocado pelo Senhor na boca de profetas. Há ainda textos que incomodam por dizer que “Deus se arrependeu do mal” (Êx 32.14) e que “Deus cria o mal” (Is 45.7).

Para começar a discutir uma questão tão complexa é importante destacar que o substantivo “mau” e seu adjetivo “mau” tem significado muito genérico. Na verdade, o termo precisa ser dividido em categorias menores. John Hick, um grande estudioso do assunto tem dividido o mal em quatro categorias: a) existe o mal originado por seres pessoais. Esse é o mal moral, isto é, o pecado; b) há também o mal como sensação física da dor e a angústia do sofrimento psicológico, isto é, o sofrimento subjetivo; c) há ainda o mal natural: é o caso do terremoto, da epidemia etc.; e d) existe finalmente o que é chamado de mal metafísico ou inerente à criatura. Refere-se à finitude e contingência dos seres criados que lhe dão um condição de perene de imperfeição.

A tradição teológica cristão sempre viu o mal como tendo origem no uso incorreto do arbítrio humano. Agostinho, o famoso bispo de Hipona, afirmava que tudo o que Deus criou é bom, e que o fenômeno do mal ocorre apenas quando seres intrinsecamente bons se corrompem. Não pode existir nada inteiramente mau, nenhum ser. Mesmo não admitindo a existência ontológica do mal, Agostinho procurou defender a Deus de qualquer culpa pela existência do mal, negação do bem. Por isso, afirmou também que se a existência do mal não fosse uma coisa boa, certamente Deus onipotente não o teria permitido.

Para entender os textos bíblicos, é preciso reafirmar que a fé bíblica do Antigo Testamento, monoteísta e ética em sua essência, nunca admitiu a idéia de que há seres maus comparáveis a Deus. Não existe um dualismo. Toda experiência humana deve ser explicada em Deus e a partir dele. A visão monista do mundo e da divindade de Israel fazia com que até mesmo toda experiência negativa também fosse atribuída a Deus. Por isso até os chamados espíritos maus são enviados por Deus e estão sob o seu domínio, como é o caso de Satanás no livro de Jó (Jó 1.6). Isso chegou a permitir um certo henoteísmo, pois Deus é considerado em alguns textos como o deus dos deuses (Sl 95.4), isto é, acima dos deuses que só existem sociologicamente. Os deuses das nações nada são, e o Deus verdadeiro está acima de todos eles. Por isso há também uma idéia da vitória divina sobre as figuras mitológicas e suas nações. Este é o caso de Raabe, do Leviatã e da Serpente. Na verdade não há um espaço para qualquer divindade ou ser mitológico que se apresente como o opositor de Deus. Isso significa que todos os “seres maus” estão subordinados a Deus, e de certa forma, acabando sendo também “seus servos”, pois não passam de criaturas que só agem até o limite que Deus lhes permite atuar.

Retomando a amplitude semântica do termo “mal”, precisamos entender que é bem possível que a palavra não tenha significado ético em muitos desses textos bíblicos citados. Na verdade, “mal” tem em diversas passagens o significado de “desgraça”, “infortúnio”, “calamidade”. Se entendermos o termo dessa forma, é possível que o “espírito mau” não seja um demônio que se opõe a Deus, mas sim um “espírito arruinador” (que traz sofrimento) de juízo. Isso significa também que o Senhor “se arrependeu da punição que traria ao povo”, pois Deus não se arrepende do mal enquanto pecado! Finalmente Deus não cria o mal, no sentido ético, mas sim “a desgraça” (Veja Is 45.7 na NVI). Deus permite o mal, mas nunca é o criador direto do mal ético; ele não é o autor do pecado.

(Luiz Sayão) – Teólogo. Hebraísta (USP). Coordenador Geral de Tradução da Bíblia NVI. Prefaciou o meu novo livro: Reflexões sobre a vida de Paulo

Fonte: www.prazerdapalavra.com.br

O Martelo dos Macabeus

O que teria acontecido se o helenismo tivesse permanecido como uma opção voluntária? Estranhamente, o anti-semitismo às vezes é uma benção disfarçada. Em 175 da Era Comum, Antiocus Epifanes tornou-se rei da Síria. Com o objetivo de unificar seu reinado, ordenou que todos os moradores estavam obrigados a seguir a cultura e a religião grega.

Antiocus foi particularmente severo em Israel, onde proibiu o cumprimento do Shabat, das leias de Cashrut e da circuncisão; quem o desrespeitasse seria condenado à morte. Ele profanou o Templo ao sacrificar porcos sobre o altar e colocar uma estátua de Zeus dentro dele. Isso passou dos limites até mesmo para aqueles judeus que há muito tempo haviam assimilado a cultura grega.

Por isso, o sacerdote judeu (os líderes religiosos da época eram conhecidos como sacerdotes) Matatias e seus cinco filhos lideraram uma rebelião contra aqueles que mancharam a reputação do Templo. “Quem for por Deus que me siga”, gritou Matatias. Milagrosamente, conseguiu arregimentar tantos seguidores que acabou derrotando um império. Sua família era conhecida como a família dos macabeus, que em hebraico significa martelo.

O nome era um tributo à força de seus integrantes, especialmente o filho que provou ser o mais ousado e corajoso – Judas Macabeu.

Além de significar martelo, o nome macabeu é um acrônimo das palavras hebraicas:  Mi El Camochá Baelim Há Shem ? Quem é entre os poderosos como TU, Eterno? A força dos macabeus veio da sua dedicação ao Eterno.

 Que este exemplo dos macabeus, possa nos mover a não aceitarmos a assimilação de muitas mentiras, heresias que percorrem muitas igrejas evangélicas do nosso país.

Nele, Pr Marcelo