
No Cristianismo, temos uma presença mais expressiva das mulheres e sua participação ativa na marcha do Evangelho, especialmente no ministério do Apóstolo Paulo. No capítulo 16 de Romanos, muitas são citadas nominalmente por Paulo destacando valiosos serviços prestados por elas, começando pela diaconisa Febe.
E na Igreja da cidade de Filipos, na chamada Macedônia oriental, cerca de 16km do Mar Egeu, em homenagem a Filipe II, pai de Alexandre Magno, Paulo cita os nomes de Evódia e Síntique, duas conceituadas mulheres macedônicas e de grande destaque na Igreja de Filipos, que reinavam em desavença uma com a outra. A propósito, narra a história que as mulheres macedônicas eram conhecidas por terem forte personalidade e a desavença entre ambas quebrava a harmonia e o bem estar daquela comunidade que Paulo ministrava, por assim dizer, o dom da alegria, do gozo, do regozijo redobrado!
Paulo disse solenemente: Rogo a Evódia e rogo a Síntique que sintam o mesmo no Senhor, Filipenses 4:2. A leitura pública de uma carta vinda das mãos de um homem de Deus, do caráter do Apóstolo Paulo, certamente poderia provocar o afastamento de ambas por iniciativa própria, pois ficariam envergonhadas ou elas, de per si, tomariam posição de compor “a alegria e coroa de Paulo” de firmeza no Senhor!
Reforçando ainda o alvo de ser sanada a desavença, Paulo, no versículo 3, apela para um companheiro que ajudasse aquelas mulheres que trabalharam com ele, e desfrutaram da sua companhia pessoal, mas algo estranho estava ocorrendo entre ambas.
Curiosamente, não se tem nenhuma pista do que realmente acontecia entre Evódia e Síntique. Também, fosse qual fosse a querela, como se sabe, diante da Cruz de Cristo, ninguém tem razão! Certamente estava havendo uma ferrenha disputa que já afetava a Igreja e suas lideranças, pois tal comportamento cria partidarismos, afeta as famílias dos queixosos, algo bem contrário ao que Paulo ensinava – que todos “pensassem concordemente”, sem nódoa de mágoa ou picuinhas.
Além da desavença e desarmonia serem contrárias à verdadeira fé cristã, uma outra contradição estava espelhada nos nomes das duas servas de Deus. O nome Evódia, de “evodomai”, significa ‘ir bem’, ‘prosperar’, ‘fazer uma boa jornada’, ‘agradável’. Essa mesma palavra está no versículo 2 de 3ª João – “Amado, desejo que te vá bem em todas as coisas”. Evódia, como cristã, não estava fazendo uma jornada feliz de vida cristã, pois reinava na desavença.
Por sua vez, Síntique, também nome grego, significa ‘afortunada’, no entanto, vivia na pobreza espiritual da falta de amor e perdão. Essas duas irmãs na fé estavam contribuindo para uma possível instabilidade da harmonia familiar dos irmãos filipenses! Lembra a Bíblia que tudo o que está escrito é para o nosso proveito, como diz Romanos 15:4.
Hoje, a lição negativa dessas duas irmãs chama-nos a atenção para o nosso papel numa comunidade a fim de que sejamos instrumentos para promover a paz, a harmonia, a reconciliação, “cada um considerando o outro superior a si mesmo” (Filipenses 2:3b) e tenhamos “o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus! (Filipenses 2:5) e, assim, desfrutaremos de uma jornada feliz (Evódia) e rica, ou melhor, afortunada (Síntique)!
Dr. Agnaldo Sacramento